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Artigos sobre o Agro Negócio

Tomada de decisão no agronegócio
O atual contexto do agronegócio global mostra um cenário dinâmico de importantes transformações empresariais. A abertura econômica, a desregulamentação dos mercados e a formação de grandes blocos econômicos são as principais mudanças que trouxeram a globalização e a necessidade de incrementar a produtividade e a lucratividade do agro. Nas últimas duas décadas é também crescente o número de fusões e aquisições no mercado de multinacionais, o que tem resultado no oligopólio empresarial no setor de sementes, agroquímicos, biotecnologia e frigoríficos. No setor varejista poucas empresas concentram o mercado gerando desigualdade de faturamento entre estas e outras empresas de porte regional, acarretando, com isso, em menor competitividade. As mudanças ocorridas refletem, em nível de produtor, em uma gama enorme de opções tecnológicas, porém, estas são oriundas de poucas empresas, acarretando em elevados custos de produção. Para o produtor este é um fenômeno que reduz sua capacidade de barganha na compra de insumos, o que refletirá nos seus custos de produção. A capacidade de negociação do produtor na hora da venda de seus produtos também fica comprometida, o que resultará em pouca barganha e baixos preços de venda. No cenário climático, há também alta imprevisibilidade e instabilidade dos eventos, apesar da tecnologia aplicada nos modelos estatísticos. As mudanças climáticas podem ainda trazer maior déficit hídrico para algumas regiões, temperaturas mais elevadas ou enchentes para outras e menor adaptabilidade das culturas agrícolas e raças animais. Em termos de economia, as altas taxas de juros, a alta do dólar, as indefinições de preços mínimos e políticas setoriais e os problemas institucionais que o país enfrenta acabam por se refletir nas cadeias produtivas e inclusive dentro das propriedades rurais. Para os produtores rurais, as dificuldades vão desde a concepção e planejamento dos sistemas produtivos, escolha de cultivares e raças, passando pela compra e venda de insumos até a capacitação de colaboradores e gestão de custos de produção. Está cada vez mais complexo produzir bem com lucratividade e ainda ser sustentável. Outra consideração importante que preciso fazer é em relação à biologia. Tive um professor uruguaio que sempre dizia: "As plantas e animais são seres vivos, isso aprendemos ainda na escola". Pois é caro leitor pode parecer uma idiotice, mas não é. Cultivamos plantas e criamos animais, seres vivos que necessitam de alimento, água, descanso, cuidados, que têm suas exigências em clima, solo, e, assim como nós humanos, também detestam pragas e doenças. Precisamos voltar a compreender a biologia inserida nos sistemas produtivos. Em termos de recursos humanos, as empresas tem a dificuldade adicional da contratação de mão de obra qualificada para utilizar as novas tecnologias e adaptá-las as necessidades de cada propriedade e sistema produtivo. Espera-se ainda que as novas leis trabalhistas possam, enfim, melhorar as relações para que reduzam os processos judiciais existentes e tanto empregador como colaboradores possam trabalhar e produzir em paz. Finalmente, na outra ponta da cadeia estão os consumidores, com maior informação e poder aquisitivo, altamente exigentes quanto a produtos de melhor qualidade, seguros, práticos, que respeitem o bem estar animal, as leis trabalhistas e ambientais. Conceitos recentes como certificações, rastreabilidade, boas práticas pecuárias, boas práticas de fabricação e boas práticas agrícolas, dentre outros passam não apenas a fazer parte das propriedades rurais, mas de toda a cadeia produtiva como uma direção inevitável a seguir. Neste cenário cada vez mais dinâmico e turbulento, onde o produtor rural necessita de sólido conhecimento técnico na busca de competitividade e até mesmo sobrevivência, o processo de tomada de decisão reveste-se de grande relevância. Para o agronegócio brasileiro continuar se consolidando, não nos resta dúvida que a tomada de decisão depende de um sólido embasamento técnico em um diversificado portfólio de alternativas tecnológicas. Não nos serve mais decidir com base em mera intuição, mas sim em critérios objetivos bem fundamentados. Para auxiliar na tomada de decisão temos à disposição diversa gama de apps de previsão de preços, condições climáticas, manejo de pastagens, cálculo de nutrição animal, monitoramento de pragas e doenças, cálculos de custos e softwares de gestão. Estas ferramentas não dispensam a experiência prática, mas esta sozinha não é mais suficiente, necessitando, assim, de um conjunto de informações gerenciais para que as decisões tomadas tenham menor probabilidade de erro. Tanto para o uso das ferramentas como na interpretação dos dados obtidos por elas é imprescindível a base técnica do profissional do agronegócio. Neste aspecto só existe um caminho, nos capacitarmos profissionalmente, e isto é em todos os níveis, técnico, superior, pós-graduação, treinamento. A Figura em anexo mostra os seis grupos de variáveis envolvidas no processo de decisão no agronegócio e a capacitação como subsídio para enfrentarmos as dificuldades que ocorrem no setor. Os processos decisórios são cada vez mais importantes para o agronegócio. Como vimos, os cenários climáticos, comerciais, tecnológicos, produtivos e jurídicos são muito dinâmicos e complexos, refletindo-se em uma diversidade de situações mutantes que se apresentam no cotidiano das empresas. Nesse sentido, o profissional do agronegócio deve se precaver pela capacitação contínua e correta utilização das ferramentas disponíveis, embasando, desta forma, suas decisões em aspectos objetivos e não em um simples "achômetro" sujeito a modismo e opiniões pessoais. O setor rural brasileiro tem um potencial imenso, mas precisa urgentemente equacionar as decisões gerenciais para poder competir com vantagens em um mundo global com exigências diferenciadas tanto das empresas, produtores como dos consumidores.

Tomada de deciso no agronegcio

Histórias de Vida

A Vida no campo como ela é.

Revivendo "Uma prova que move paixões"
Jineteada lida bruta, daquelas antigas, daquelas que se faziam nas estancias por lazer, honrando a tradição. Tradição que se perpetuou no tempo, de geração em geração. Cosas del Campo, queria saber como era tudo isso, como tudo começou, como tudo continuou, e como ainda segue viva a mesma paixão. Fomos nada mais e nada menos que falar com aquela pessoa que dentro da jineteada conta a emoção daquele momento. Fomos falar com um relator, que a 25 anos leva no sangue uma paixão única: a jineteada. Ele é o Xiru Azambuja, esposo da Roberta, sua companheira de vida. 1992, ano onde ele lembra que a paixão da vida dele começava, ele pegava por primeira vez um microfone para relatar uma jineteada. O Bageense nos conta que muita agua correu na atividade, muitas coisas mudaram, e afirma que hoje a jineteada é mais profissional, pois faz questão de dizer que a de antes era mais campeira, quem montava eram apenas os homens de campo. Hoje em dia cidadãos que não vivem a lida diária no campo são ginetes profissionais, comenta. Na vida dele ele agradece por ter visto do melhor e do "não tão bom", assegura que tem tropilhas espetacularmente lindas que marcaram a retina dele. Uma delas a "Tropilha da Floresta", do Dr. Reinaldo Menezes; a qual ainda segue viva com mais de 50 anos de historia. Mas não foi somente cavalos que ficaram gravados na retina dele, também foram momentos, foram montas que fizeram ele alguma lagrima derramar. "Monta na Arena do Herval", no CTG Minuano, de Pierre Rocha. Emocionado comenta que a garanta chega a "se fechar de emoção!". Uruguai, Argentina, Paraguai... A voz do relator recorreu vários CTG, e atravessou fronteiras onde ficam momentos marcados, pois assegura que cada pais tem seu encanto, teu seu forte, tem uma coisa que faz diferente cada um do outro sem se esquecer da mesma paixão pelos potros e aporreados. É assim então que com esta paixão dos potros e aporreados, Xiru se orgulha de fazer parte deste movimento que conta a historia do país, que conta a trajetória de um caminho que ainda continua se escrevendo graças ao sentimento transmitido de geração em geração, porque faz questão de dizer que ainda fica muita gente que honra a tradição. A pergunta que nunca quer calar... Pra aqueles que começam, qual é o caminho? "Se espelhar, tomar os bons exemplos; e claro, HUMILDADE, pra tudo... Ela é a encarregada de nos levar a qualquer lugar." Texto: Maria Eduarda Sanes

Revivendo

Criadores

A paixão por criar

Intoxicação por milho contaminado afeta cavalos
O agente é o Fusarium moniliforme e a doença, Leucoencefalomalácia equina A Leucoencefalomalácia equina é uma doença degenerativa, esporádica e altamente fatal de cavalos, pôneis, asininos e muares. É um processo degenerativo do sistema nervoso central causado por alterações metabólicas que produzem malácia (amolecimento e liquefação) da massa branca do encéfalo. Outra forma de intoxicação é a doença hepática, onde se acredita que esses efeitos são mais facilmente reversíveis que na forma neurológica. A doença é causada pela micotoxina fumonisina B1 (FB1), um metabólito do Fusarium moniliforme. Os equídeos ficam acometidos pela ingestão do milho infectado pelo F. moniliforme, mas o problema também foi associado ao consumo de dietas comercialmente preparadas. As sementes infectadas frequentemente possuem coloração rósea a castanho-avermelhada e as sementes lesadas e parte do sabugo têm concentração muito maior de FB1 do que as sementes sem lesão. O desenvolvimento da doença depende da concentração da fumonisina no alimento e a duração da exposição. Apenas 10 ppm durante 30 dias podem causar a morte. A doença está relacionada principalmente às pobres condições de estocagem do milho ou da ração dada ao animal. A presença do fungo não significa que ocorrerá a doença, do mesmo modo que a ausência deste não é uma garantia de que o milho está livre da toxina. Geralmente a doença é sazonal, com a maioria dos casos ocorrendo desde o final de outono até o começo da primavera. É mais frequente em climas temperados e úmidos depois de verão seco e estação de colheita úmida. As lesões macroscópicas típicas da Leucoencefalomalácia incluem necrose e degeneração liquefativa dos hemisférios cerebrais, mas alterações degenerativas também podem ocorrer no tronco cerebral, no cerebelo e na medula espinhal. As áreas necróticas podem variar de tamanho, e as regiões adjacentes à necrose são quase sempre edematosas e rarefeitas. Estas lesões caracterizam-se por congestão das meninges e aumento de volume de um dos hemisférios cerebrais que apresenta consistência flutuante e achatamento das circunvoluções. Ao corte transversal do encéfalo observam-se, na substância branca subcortical, áreas de necrose liquefativa caracterizadas por coloração amarelada e focos hemorrágicos. Frequentemente observa-se também, cavidades com conteúdo líquido ou pastoso. As lesões são geralmente unilaterais, mas alguns animais podem apresentar alterações bilaterais. As lesões macroscópicas são mais bem observadas após a fixação do sistema nervoso central em formol 10% a 25%, mas as lesões liquefativas são facilmente observadas também no cérebro fresco. As lesões hepáticas macroscópicas nos equinos acometidos geralmente não são pronunciadas. O fígado pode ficar ligeiramente tumefado, com coloração amarelo-acastanhada e contendo focos irregulares de nódulos disseminados por todo parênquima. O fígado pode apresentar-se de tamanho normal até pequeno e firme. As lesões histológicas caracterizam-se por necrose da substância branca, com microcavitações, edema, congestão, hemorragias e presença de neutrófilos, e em algumas ocasiões, eosinófilos. Lesões vasculares e degenerativas podem ser encontradas em diversas áreas do sistema nervoso central, incluindo cápsula interna, tálamo, tubérculos quadrigêmios e medula. Nas meninges pode observar-se edema, hemorragias e infiltração de neutrófilos, eosinófilos ou células linfocitárias. As anormalidades histológicas encontradas no fígado podem incluir necrose e fibrose centrolobular, infiltração gordurosa dos hepatócitos, fibrose na veia porta, estase biliar e proliferação dos ductos biliares. Duas síndromes clínicas estão associadas à intoxicação por FB1. A mais comum é a síndrome neurotóxica clássica, mas também ocorre hepatotoxicidade em alguns equinos. Os animais mais velhos podem ser mais suscetíveis do que os mais jovens e os sinais clínicos se tornam evidentes aproximadamente três a quatro semanas após a ingestão diária do alimento contaminado. Uma vez que os animais mostram os sinais neurológicos, a morte ocorre geralmente dentro de 48 a 72 horas. A síndrome neurológica caracteriza-se inicialmente por incoordenação, caminhar sem rumo, anorexia intermitente, letargia, depressão e pressionar a cabeça contra superfícies. Os animais também podem apresentar ptose auricular, palpebral, labial e dificuldade de apreensão dos alimentos. Pode haver cegueira uni ou bilateral. Esses sinais podem ser seguidos por hiperexcitabilidade, beligerância, agitação extrema, sudorese profusa e delírio. Podem ocorrer decúbito e convulsões clônico-tetânicas antes da morte. A recuperação de episódios agudos foi relatada, mas alguns equinos conservam déficits neurológicos. Raramente ocorre a recuperação espontânea ou após o tratamento. Um cavalo recuperado é comparado como um manequim, devido à sua perda de inteligência. Os sinais clínicos associados à síndrome hepatotóxica são tumefação dos lábios e nariz, sonolência, icterícia e petéquias nas mucosas, respiração abdominal e cianose. Os sinais aparecem frequentemente de forma aguda, e a morte pode ocorrer dentro de horas a dias. O diagnóstico etiológico constitui uma ferramenta importante para a prevenção desta intoxicação. Este é efetuado com base no exame neurológico, presença do milho mofado na dieta e alterações anatomo-patológicas do sistema nervoso. O diagnóstico definitivo é realizado através da necropsia do animal. Deve-se realizar o diagnóstico diferencial contra raiva, encefalomielite equina, mieloencefalopatia por herpes-vírus equino, botulismo, hepatoencefalopatia, trauma cefálico, meningoencefalite bacteriana e paralisia por carrapato. Dentre as doenças tóxicas deve-se considerar o diferencial de intoxicação por Centaurea solstitialis, que é uma enfermidade de curso crônico, e com a intoxicação por Senecio spp, que tem um curso clínico de1 a 6 dias ou mais. O tratamento é em grande parte de suporte, já que não existe antídoto para FB1. Os equinos devem ser sedados para minimizar traumatismos auto-infligidos e aos seus tratadores. Manitol e DMSO podem ser administrados para ajudar na resolução do edema cerebral. Em casos de delírios, a sedação se faz necessária. Carvão ativado e laxantes podem ajudar na eliminação da toxina. É indicado aplicações de vitamina B1 na dose de 1g ao dia, por vários dias. O tratamento de suporte da disfunção hepática deve ser iniciado se houver evidência de lesão hepática, e alguns equinos podem precisar de alimentação e ingestão hídrica forçadas se forem incapazes de comer e beber. O milho mofado deve ser imediatamente eliminado da alimentação, devendo-se também evitar que restos de rações permaneçam no fundo do cocho onde serão misturados à ração no dia seguinte. É importante ter cuidados especiais com o armazenamento dos grãos e fornecer forrageiras de boa qualidade, sempre que possível. Na utilização do milho como ingrediente das rações deve-se observar a eficiência da produção deste alimento, além de submeter o material a testes para detecção de fumonisinas. No caso de optar-se pela alimentação com milho, é importante que esse grão não seja utilizado como única fonte de alimento concentrado, devendo ser misturado a outros grãos em porcentagens inferiores a 20%. O mal armazenamento do milho e rações comerciais, associado a colheita em épocas úmidas, são os principais responsáveis pela intoxicação pelo Fusarium moniliforme. Portanto, é de extrema importância o controle destes fatores, já que a Leucoencefalomalácia equina é uma doença de distribuição mundial com alta mortalidade. Fonte: Tamarini Arlas - Ourofino Saúde Animal Foto: Cosas del Campo

Intoxicao por milho contaminado afeta cavalos