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Considerações sobre a "Pecuária do Amanhã"
por Marcelo Benevenga Sarmento

Data: terça, 3 de outubro de 2017 - Hora: 08:58

Nos dias 26 a 28 de setembro participei da XII Jornada Nespro e III Simpósio Internacional sobre Sistemas de Produção de Bovino de Corte, e dias 29 e 30/09 de um curso de atualização tecnológica em pecuária de corte, ambos na Ufrgs, em Porto Alegre. A temática da Jornada deste ano foi "A pecuária do amanhã" Estiverem como palestrantes, professores, pesquisadores e consultores da Espanha, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil. A diversificada plateia manteve-se atenta aos direcionadores tecnológicos da pecuária de corte. Foram abordados temas como bem estar animal, recursos humanos, sustentabilidade, produção a pasto, certificações, tendências para o consumo de carne bovina, inovações tecnológicas, dentre outros. Nesta coluna farei uma síntese dos tópicos que foram debatidos nestes eventos.

1-A atividade pecuária, independentemente do sistema de produção utilizado, deverá ser cada vez mais eficiente.
2-A eficiência passa pela gestão profissional e intensificação sustentável, ou seja, produzir cada vez mais com cada vez menos recursos (terra, capital, trabalho, tecnologia).
3-Não há como fazer gestão eficiente sem registro de dados da propriedade, pois sem dados não há monitoramento, e o que não se conhece não se pode melhorar.
4-Produtores pouco eficientes serão deslocados da atividade, por outro lado, os mais eficientes terão maior domínio das terras e tecnologias.
5-A capacitação tanto do proprietário como gerentes e demais colaboradores deve ser contínua e sistemática.
6-A adoção tecnológica deve ser vista como investimento essencial para o bom andamento da atividade e a correta aplicação das técnicas depende da capacitação e treinamento contínuo dos recursos humanos.
7-A pecuária do amanhã dependerá muito dos bons tratos no manejo do gado. O bem estar animal, mais do que exigência pontual de alguns mercados e consumidores, tem que ser prática habitual em nossas propriedades, transporte de animais e frigoríficos.
8-Os produtores devem se aproximar mais dos frigoríficos, encurtando a cadeia produtiva, o que deve refletir em negócios mais justos e rentáveis.
9-Algumas marcas atuais de carne deixarão de existir, provavelmente por não terem oferta contínua de produtos de qualidade e marketing profissional a elas associado.
10-A sustentabilidade será aspecto essencial em todas as etapas da cadeia produtiva da carne bovina.
11-Quem irá comandar a cadeia produtiva futura será, sem dúvida, a preferência de um exigente consumidor. Isto já vem ocorrendo.
12-Aspectos como diferenciação do produto, nichos de mercado, segurança alimentar, produção sustentável, praticidade do produto, serviços associados, certificação, bem estar animal, comércio justo, dentre muitos outros, serão muito presentes desde as etapas produtivas até a mesa do consumidor.
13-A grande demanda por carne bovina terá origem nos países emergentes, principalmente o mercado asiático.
14-A carne bovina será cada vez mais artigo de consumo de luxo em nível global, com elevados preços pagos no varejo.
15-O produtor não deveria "peliar" com o frigorífico e varejo, ao contrário, deve aliar-se a eles na produção de uma carne diferenciada em qualidade e com escala, só assim poderá barganhar melhor preços por seu produto.


Marcelo Benevenga Sarmento



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