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Os sintomas e cuidados com as doenças infectocontagiosas

Data: terça, 9 de julho de 2019 - Hora: 17:41

Entre elas, Anemia Infecciona Equina e Mormo

O Manejo Sanitário tem como finalidade proporcionar aos animais ótimas condições de saúde. Buscando evitar, eliminar ou reduzir ao máximo a incidência de doenças. E no rebanho é utilizado para que se obtenha um maior aproveitamento genético e consequente aumento da produção e produtividade.

Esta prática deve ser corriqueira e de rotina em nossas criações, pois desta forma estaremos otimizando ao máximo tudo aquilo que fornecemos ao animal. De nada adianta termos preocupações intensas com genética, alimentação e treinamento se, aliado a tudo isso, o animal não estiver saudável.

Um bom manejo sanitário proporciona ao animal um estado de saúde preventivo, inclusive economizando com tratamento das mais diversas patologias, que muitas vezes são mais caros que a própria prevenção.

Algumas doenças quando diagnosticadas positivamente levam ao sacrifício do animal e a interdição da propriedade por tempo estabelecido pelo Ministério da Agricultura. Dentre as mais importantes na equideocultura, Anemia Infecciosa Equina e Mormo.

A Anemia Infecciosa Equina, ou AIE, é uma doença causada por vírus, transmissível e incurável, que infecta somente equídeos - cavalos, asininos e muares -, independente de raça, sexo e idade. Os sinais clínicos da doença são bastante variáveis e podem produzir três diferentes síndromes: aguda, crônica e inaparente.

A forma aguda normalmente não é comum e seus sinais clínicos são não-específicos, podendo aparecer como: febre não continua (39º a 41ºC); pontos hemorrágicos nas mucosas; fraqueza e cansaço; redução ou perda de apetite; perda de peso; icterícia; edema em membros, abdômen prepúcio e anemia de moderada a severa.

Animais que sobrevivem ao episodio inicial progridem para forma crônica, apresentando os sinais clássicos da doença. Estes tendem a serem letárgicos, anoréxicos, anêmicos, apresentam edema e demonstram decréscimo no número de plaquetas coincidente com a febre.

A forma inaparente aparece na maioria dos animais positivos em testes sorológicos. Não há aparecimento de nenhuma anormalidade clínica resultante da infecção. Porém, estes continuam portadores do vírus por toda vida, podendo propagar assim a doença.

A transmissão da AIE ocorre através de picadas de insetos que se alimentam de sangue (mutucas, mosca do cavalo, dos estábulos); uso compartilhado de materiais contaminados com sangue infectado (agulhas, seringas, esporas, freios, arreios, dentre outros); leite e sêmen.

Já o Mormo é uma doença infecto-contagiosa incurável, causada por uma bactéria denominada Burkholderia mallei, que acomete equídeos - cavalos, asininos e muares. Podendo também afetar carnívoros, eventualmente pequenos ruminantes e até mesmo o homem. Por ser uma zoonose, é de interesse de Saúde Pública.

As pessoas que se contaminam e desenvolvem a forma aguda da doença, se não forem tratadas precocemente, podem adquirir até 95% de chance de morrer em até três semanas. Se desenvolver a forma crônica poderá desenvolver abscessos em diversas partes do corpo principalmente nos pulmões. Porém a chance do humano de contrair a doença é mínima, em torno de 0,5%.

Nos equídeos, a doença manifesta-se sob forma nasal, pulmonar e cutânea podendo ser aguda ou crônica, o mesmo animal pode apresentar todas as formas simultaneamente. Os muares e asininos são acometidos na sua forma aguda, enquanto os cavalos, na forma crônica, porém nem todos os acometidos manifestam os sinais clínicos clássicos da doença.

Na forma aguda ocorre febre alta, tosse e corrimento nasal, com rápida evolução para úlceras disseminadas na mucosa nasal e nódulos na pele (extremidade dos membros ou abdômen). A morte pode ocorrer após alguns dias, por septicemia.

Na fase crônica, a forma nasal apresenta lesões que se iniciam como nódulos que ulceram e podem se tornar confluentes. Nos estágios iniciais ocorre corrimento nasal seroso podendo ser uni ou bilateral, tornando-se muco-sanguinolento com o curso da doença. No processo de cicatrização as úlceras são substituídas por uma cicatriz característica em forma de estrela.

A forma cutânea ou linfática se caracteriza pelo aparecimento de nódulos subcutâneos, principalmente nos membros, que ulceram e permanecem com uma secreção amarela escura. Em alguns casos as lesões são mais profundas, e as secreções saem por trajetos fistulosos. Os vasos linfáticos se tornam fibrosos e espessados, irradiando-se das lesões e formando redes.

Os linfonodos regionais podem ser acometidos e se fistularem. A localização principal das lesões é a região interna do posterior, embora possam ocorrer em qualquer região do corpo. Já na forma pulmonar, mais comum em cavalos, a doença se manifesta como pneumonia crônica, tosse, epistaxe frequente e respiração dificultada.

A transmissão da doença ocorre através do contato direto com as secreções (nasal e pus dos abscessos) e excreções (urina e fezes) dos animais doentes, pois o agente pode penetrar através de via digestiva (ingestão de alimentos ou água), respiratória (inalação), genital e cutânea (por lesão).

Algumas medidas de prevenção e controle devem ser adotadas já que não existe vacina para estas doenças. Compra e venda de animais somente com exames negativos para AIE e Mormo; a não participação em eventos equestres (feiras, rodeios, cavalgadas, exposições, provas), onde não sejam exigidos os atestados negativos; a utilização de agulhas e seringas descartáveis.

E ainda: a desinfecção de equipamentos e materiais que esteve em contato com o sangue, secreções e excreções de animais contaminados; o isolamento da área e sacrifício dos animais positivos. E no caso específico da AIE, a limpeza do ambiente deve ser realizada para se evitar insetos.

Fontes: Dra. Patrícia Bernardes Balducci
Médica Veterinária Pós-graduada em Reprodução Equina e Cirurgia e Diagnóstico Equino/Editora Passos/Cavalus
Foto: Alberta Animal Health Source



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