colunas

"TÁ COM MEDO?"
por Daniel Giron Azevedo

Data: terça, 5 de fevereiro de 2019 - Hora: 11:50

Havia uma potra gateada chamada Roqueira dos Meus Filhos, meu pai já havia amansado ela de baixo e me chamou para realizar a primeira monta. Naquele tempo a primeira monta era mais uma bravata do que uma técnica, uma gineteada na forma de rito de passagem.

Preparativos prontos: maneia, bocal, espora e mango. O rito era o seguinte: eu montava algumas vezes com a égua atada, até que fosse possível a retirada das maneias das patas, meu pai se posicionava segurando um cabresto comprido para evitar que a égua fosse pulando em direção a cerca. Eu me preparava, rédea curta, joelhos firmes e atenção total para suportar os pulos que poderiam vir.

A Roqueira deu alguns passos lentos e começou a corcovear com toda intensidade que podia. É verdade que não me considero um grande gineteador, mas neste dia tive de ser, ela baixou a cabeça por entre as mãos, pulando de soco, roncando de brava. A situação ficou realmente feia e meu pai ao ver que o cabresto poderia soltar-se gritou "pula fora", na adrenalina do momento, eu, ainda adolescente, retruquei as palavras de meu pai "Que foi? Está com medo?", me respondeu ele com a maior sinceridade "Sim!", como quem diz, “não é vergonha ter medo que um filho se machuque", mas naquele tempo eu não tinha ainda maturidade para me entender isso e retalhei, "mas eu não!".
A égua pulando e roncando e, eu e meu pai ali falando! Foi sem dúvida uma grande conversa, daquelas que demora anos para se entender.

Eu não pulei fora e a égua parou de corcovear, me senti orgulhoso pela bravata, me senti livre de tantos medos, que naquela época eu acreditava serem mais do meu pai do que meus. Nada mais inconveniente do que um adolescente orgulhoso. Na minha empáfia não percebi que quem não pulou fora foi meu pai, que sofreu para segurar o cabresto e conseguiu me proteger até o fim. Hoje, homem feito, conheço bem o medo de não conseguir proteger o suficiente aqueles que amamos. Sei o quanto é difícil segurar o cabresto desta vida xucra que os nossos "filhos" tem de montar. Não é sem sofrimento que os pais vêem seus filhos correr os riscos necessários e outros tantos que julgamos desnecessários.

É! Amigos, depois de alguns tombos, depois do tempo que sempre se faz necessário, compreendi que a vida pode amansar-se e o orgulho pode perder a empáfia, porque quando o cabresto é forte sempre chega o dia em que os filhos aprendem a diferenciar "medo" e "amor".



Venha e participe Conosco!
Deixe seu comentário,
Até a próxima.

Já viu os animais que vendemos? Veja Aqui!