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TEMPO DE PARAR
por Daniel Giron Azevedo

Data: segunda, 7 de janeiro de 2019 - Hora: 11:18

"O tempo não para, não para não, não para"
Cazuza

Não pára não? Não tenho certeza! Somos nós que não paramos, mas o tempo, ah, o tempo precisa parar. Parei para pensar! Esta reflexão surgiu na ocasião em que solicitei o auxílio do meu amigo Max Conceição para ensinar meus cavalos a parar. Disse-me ele: "todo mundo quer saber quando é a hora de puxar da boca, de usar a espora, fazer isso, fazer aquilo, quando o que realmente importa é saber a hora de não fazer nada", compreendi que precisamos saber aquietar os estímulos e "oferecer tempo" para que o cavalo perceba que algo importante ocorreu.

Ainda sobre o ensino dos esbarros que é como chamamos as paradas dos cavalos, Max me orientou a sentar na sela e "relaxar o corpo" na hora de parar, ou seja, interromper a impulsão e o tônus que mantinham o galope. Para uma boa "parada" há de se diminuir a tensão em vez de colocar ainda mais pressão puxando demasiadamente a rédea num esbarro forçado. Cultiva-se assim o desejo de parar até o ponto que baste falar "oooooou" para que o cavalo interrompa a corrida com satisfação sem reações de defesa ou dor.

Quantos de nós passamos os dias trabalhando em alta velocidade, mantendo a "impulsão do galope" até quase perder o fôlego? Quantos de nós só realizamos paradas forçadas, ficando até mesmo mais tensos no tempo livre sem conseguir "relaxar o corpo"? Amigos a equitação pode nos apontar um caminho, se podemos comunicar a um cavalo quando é a hora de relaxar e parar, podemos também comunicar algo parecido a nós mesmos, basta acreditar na potência criativa que reside no simples fato de se "oferecer tempo".

Que experiência rica pode ser realizar uma parada, permitir-se uma pausa, uma descontinuidade naquilo que costumamos realizar. Não é ao acaso que as melhores terapias geralmente começam com a decisão de "dedicar um tempo a si mesmo", uma pausa criativa para repensar os rumos da vida. Quantos dos nossos melhores insights nos são revelados nessas experiências de descontinuidade do cotidiano! São os valiosos momentos em que saímos sem rumo, em que decidimos fazer algo há muito adiado, em que damos chances ao inusitado ou, simplesmente, quando nos libertamos do compromisso oculto de manter tudo como está.

Que não nos falte sabedoria para perceber quando algo importante ocorre em nós, que tenhamos sensibilidade e atenção para escutar quando a vida nos fala: "Oooooou! É hora de parar este galope, relaxar, ser mais livre!" A verdade, amigos, é que a vida é antes uma questão de "não perder o time", muito mais do que o imperativo de "não perder tempo", até porque, tenho pra mim que o melhor da vida se dá nos raros e valiosos momentos em que sentimos que sim, o tempo para!



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