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Requeimado e o rastro do Sol
por Daniel Giron Azevedo

Data: segunda, 19 de novembro de 2018 - Hora: 08:28

O Cavalo BT Requeimado e o rastro do Sol

Tantos cavalos montei, tantos silêncios eu fiz, outras tantas histórias contei. Palavras e destinos que preenchem a vida, mas
hoje não lhes conto a história de um cavalo, lhes falo sobre O cavalo
em minha vida! Voltando a noite em que vi meu amigo se contorcer
de cólica (mau que é, sem dúvida, a maior causa de mortalidade
dos eqüinos), superei o medo da perda e me ajoelhei ao seu lado
para uma última conversa. Tinha tanto a dizer que não encontrei as
palavras, então enchi meus olhos de lágrima para lhe cantar uma
música:
"Não te preocupa bagual, que campeiro não se
engana, quem segue o rastro do sol sempre chega a
Uruguaiana"!
O Requeimado era um "filho do Hornero", bem nascido na
tradicional Uruguaiana, veio de longe para ajudar na criação dos
"filhos do Caloca", que havia fundado a Cabanha Meus Filhos.
Depois das lágrimas e da sincera despedida o sol renasceu na
Cabanha com o Requeimado a pastar no potreiro, meu amigo
decidiu ficar mais um tempo, nossa conversa ainda não tinha
terminado. Puderam crescer lado a lado os filhos do Requeimado e
os filhos do Caloca, potros e meninos de uma valorosa criação,
onde galopes, relinchos e até mesmo coices, estão sempre a revelar
o amor de irmãos.
O Requeimado nos deixou no dia 10 de agosto de 2007, mas
seu legado continua a correr em nossos campos e palavras! Outro
dia encilhei uma de suas filhas, era final de tarde e me dirigi à
coxilha onde costumava contemplar o horizonte com meu amigo. Já
há algum tempo eu não ia até lá, pois foi lá que o deixamos após
sua partida. A cena adquiriu uma beleza um tanto sinistra: era um
lindo por do sol, mas também havia a força do tempo que se fazia
notar no esqueleto espalhado que ainda perecia na coxilha.
Desencilhei a égua e a soltei no campo, ela me olhou surpresa e tive
de insistir para que se afastasse, eu queria estar a sós com meu
velho amigo. Parei sobre a coxilha a contemplar o por do sol, sobre
meu cavalo, agora "desmontado". Foi nessa última conversa que
compreendi a sutil e importante diferença entre contemplar o
horizonte e contemplar um sol a se por! Com lágrimas nos olhos,
cantei novamente nossa música de despedida.
"Segue o rastro do sol, meu maior amigo"



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