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Uruguay faz história...

Data: quarta, 29 de agosto de 2018 - Hora: 19:27

Continuamos fazendo história.

Ignacio Lussich

Se tinha uma boa forma de culminar este ciclo de Freio de Ouro, acho que nem o mais optimista se imaginava o que vivemos em Esteio o último final de semana.

Para ter uma ideia, em Brasil começam competindo perto de mil quinhentos cavalos ao ano para chegar até a final de agosto na Expointer. No Uruguay, são menos de trinta. Ademais, a diferença entre o número de ginetes brasileiros e uruguaios é muito grande. EM nosso país tem menos de dez ginetes profissionais enquanto no pais nortenho tem mais de cem. E por se fosse pouco a essa diferença tem que somar a quantidade de provas que tem uns e outros, a Associação Brasileira de Cavalos Crioulos tem mais de duzentas provas por ano, enquanto que aqui esse número baixa ao redor de quinze. Tudo isto faz que o feito de que um cavalo uruguaio ganhe algum dos Freios pareça uma utopia.
Mas, isto aconteceu e por partida dobre.

A expectativa por ver competir aos nossos era grande. Desde que começaram as provas funcionais sexta feira pela manhã e éramos cada vez mais os uruguaios que ocupávamos espaço nas arquibancadas da pista, se criou uma atmosfera espetacularmente entusiasta, com várias bandeiras, que serviram de apoio para os três animais que nos representavam.

Assim foi que Danzarino de la Colina, de Cabanha La Colina de Marcial Terra, teve uma excelente atuação. Com a monta do experiente ginete Claudio Fagundes, saiu com 6,830 pontos de morfologia, um pouco por debaixo dos 7,200 que teve na classificatória. Seguidamente, no funcional, ficando no décimo lugar e confirmando que é um grande cavalo.
O grande candidato, fundamentalmente pelo feito na FICCC no mês de maio, não decepcionou. Colibrí Matrero, ratificou que é um verdadeiro craque, um cavalo diferente tanto morfologicamente como funcionalmente. Começou com a pontuação mais alta de morfologia, inédito para um cavalo uruguaio. Na primeira etapa não teve sua melhor atuação, ingressou a pista um pouco tenso e isso o prejudicou nos andares. A primeira mangueira também não foi a esperada. Passou ao domingo, último dia, no noveno lugar e alí apareceram suas condições fenomenais. Fez levantar ao público na mangueira com um aparte excepcional, logo fez uma esbarrada e voltas sobre as patas com um grande nível e culminou com uma pontuação muito alto nas paleteadas que o coroaram com o Freio de Bronze, no Freio de Ouro mais disputado da história para a categoria dos machos.

Por último, o mais comentado de todo o final de semana, Quelén Provinciana e Mauro Villamor. Entraram na história. Égua e ginete uruguaios no pódio da prova mais importante da raça. La Quebrada, de Alma Elorza, logrou um feito que parecia impossível. Com tão só 6,553 pontos de morfologia, dos mais baixos das fêmeas, escalou posições à medida que passava uma nova etapa funcional. Assim chegou ao último dia em segundo lugar e o público estava surpreendido com esse binômio uruguaio.
O domingo voltou a “voar” mais a baixa pontuação morfológica lhe pesou e terminou levantando o Freio de Alpaca e o prêmio a “craque funcional” da prova por ter feito as melhores provas ao longo da mesma.

É um feito difícil de descrever com palavras, sobre tudo para os que vivemos esta atividade de perto e sabemos o difícil que é chegar a estas instancias e obter estes resultados. Se poderia comparar com muitas coisas, como ganhar um mundial de futebol, mas isto aqui é ainda mais difícil.
O 26 de agosto de 2018 já ficou na história da raça crioula para Uruguay, dois pódios no Freio de Ouro, dez anos depois do único pódio que se tinha obtido. Se comemorou como se merecia e não duvido que servirá de fonte de inspiração para todos os crioulistas.



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