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1° Mandamento da pecuária em campo nativo
por Marcelo Benevenga Sarmento

Data: quarta, 20 de junho de 2018 - Hora: 11:25

Adequarás a carga animal à produção de matéria seca do teu campo, realizando os ajustes necessários em função do desenvolvimento das pastagens e das condições climáticas



Este mandamento é o primeiro passo no manejo pecuário, independente do método de pastejo, seja ele conduzido em campo nativo, melhorado ou ainda pastagem cultivada.

O ajuste do gado nos potreiros é feito, usualmente, pela lotação que é o número absoluto de animais por área. Esse cálculo é feito pela unidade animal (U.A.) que no Brasil é de 450 kg ou uma vaca adulta. Já a carga animal é representada pelos kilos de peso vivo animal presentes em um dado momento em uma determinada superfície, geralmente um hectare. O conceito de carga animal, portanto, é mais adequado à disponibilidade de matéria seca por hectare ao relacionar o peso vivo animal por hectare com a produção desta área.

Ao definirmos carga animal também precisamos conhecer a capacidade de suporte que é a máxima capacidade que uma área pode suportar, em determinado manejo produtivo sem que o campo entre em degradação. A capacidade de suporte necessita de ajuste periódico, pois a disponibilidade de pasto varia ao longo do ano em função das condições climáticas. Cada região e tipo de campo tem uma amplitude de carga que consegue suportar. Dentro de uma propriedade pode ainda haver grande heterogeneidade entre potreiros e mesmo dentro de potreiros em função do relevo, tipo de solo, insolação, umidade, frequência de espécies forrageiras, manejo prévio, presença de espécies indesejáveis, dentre outros. Assim, a manutenção de uma carga animal ajustada à capacidade de suporte de um potreiro permite um equilíbrio entre a produção animal e a conservação do pasto, evitando sua degradação ao longo do tempo.

No Uruguai, com base em décadas de estudos, pesquisadores e técnicos estabeleceram as principais variáveis para o manejo de campo nativo, sendo o ajuste de carga considerado o mais importante, seguido pela relação ovino-bovino (lanar-vacuno) e, por último, o método de pastoreio. Se a carga não for ajustada à disponibilidade de matéria seca do campo a falha não pode ser compensada mesmo com o manejo correto das outras duas variáveis.

No Brasil, diversos trabalhos têm demonstrado que com a redução em média de 30% na carga animal pode-se aumentar a taxa de prenhez e dobrar o ganho animal diário. A redução na carga animal reflete-se também na persistência e vigor do campo ao longo dos anos. Em períodos de déficit hídrico, potreiros de campo nativo com carga moderada também "aguentam" mais se comparados com potreiros com alta carga no mesmo período.

Em trabalho clássico, atualmente com 30 anos de duração, na Estação Experimental da UFRGS, Eldorado do Sul, tem sido avaliado o efeito de diferentes ofertas de forragem em diversos parâmetros do campo nativo e desempenho animal. Neste período observou que uma oferta de forragem entre 8-12%, variável ao longo do ano permite uma boa produção de matéria seca, com maior diversidade de espécies vegetais, menor presença de espécies cespitosas e touceiras, traduzindo-se por melhor resposta animal tanto em ganho individual como por área (Figura 1 em anexo).

Não é objetivo deste artigo mostrar como pode ser feito o ajuste de carga animal na prática, o que será apresentado em um artigo posterior. Neste momento busquei relatar os benefícios de se fazer o ajuste de carga tanto em termos de ganho por animal como no ganho por área e produção de matéria seca do campo.

A produção de pasto varia significativamente entre e dentro de estações, anos e tipos de solo. Para ajustar a carga animal à disponibilidade de forragem precisamos conhecer a produção do campo, as necessidades dos animais e a influência das condições de clima e do próprio solo. Dessa forma, o ajuste de carga bem conduzido permite que o animal tenha o consumo necessário, coma de boca cheia com boa seletividade, sem haver perda de vigor e degradação do campo ao longo do tempo. Pensemos. Até a próxima.


Figura 1. Níveis de oferta de forragem e variáveis comparativas da produção do campo nativo, em Eldorado do Sul, RS. (Adaptado de Maraschin et al.).




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