Histórias de Vida

Um chasque, rédeas de um guri...

Data: sábado, 6 de janeiro de 2018 - Hora: 10:05

O chasque era uma prova tradicional na banda oriental, onde se utilizava como meio de comunicação entre povos, onde as importantes cartas eram carregadas através de cavalos e homens campeiros por distâncias prolongadas, de 50 ou 60 km.

A tradição foi ficando, e logo passou a ser uma prova comum dos homens das estâncias, onde pegavam os cavalos sem preparo nenhum e competiam pra ver qual era o que " aguentava" mais, e ganhava.

Nos dias de hoje, em alguns lugares continua se fazendo. Uma prova da raça crioula que está composta por 60 km, com 20 minutos de neutralização, para baixar as pulsações até 64.
Prova bastante exigida, mas apaixonante.

Apaixonante para quem olha, e tal vez, para quem nasce vendo o pai sair campeão e visce campeão do campeonato nacional de chasque em varias oportunidades.

É o caso do Agustín Furest Silvera, neto primogênito do criador de cavalos crioulos Pablo Furest, propietario da Estância El Águila.
Filho de Pilar e Nicolas, criado nas patas dos cavalos.

E não é que o gosto pegou?

Começou primeiro de criança nas provas de rienda, e logo, a estrada, a "banquinha", o esperava.
Assim foi que logo de varios enduros, com 16 anos, correu seu primeiro chasque.
Primeiro chasque, em um cavalo bastante preparado, porém, na prova, tinha cavalos já consagrados, difíceis de ganhar.

Chegou o dia... camionete pronta, mãe nervosa, pai atento aos detalhes, a estrada os esperava. Assim foram passando os kilómetros, e concluída a primeira etapa. Aprovados pelo campo de naturalização, 1 minuto e 39 segundos depois do ponteiro, eles se faziam a estrada.
Foi passando, e deixando alguns pra atrás, o Polvorín respondia, até chegar a ponta. Lá, seguindo os conselhos do pai, conseguiu atingir a ponta, o chasque era deles. Eles estavam, na estreia do ginete, se consagrando ganhadores.
Uma emoção sem fim, que deu pra comemorar bastante, mas sobre todas as coisas, planificar a próxima carreira.

Carreira que uma vez corrida, consagrava o binômio em visse campeão nacional de chasque.

Mas não pararam por aí! Eles foram por mais, Agustín e Polvorín, iam correr o tradicional chasque de Bañado de Medina, onde iam se enfrentar 4 bons cavalos.
Lá estavam eles, confiantes, um no outro.
Equipe pronta, só que desta vez, ia faltar o pai, ele estaria correndo um cavalo, e não estaria para aconselhar.

Coração batendo forte, mas a estrada era deles, Agustín confiando no seu cavalo, foi devagar chegando nos cavalos da ponta, uma carreira difícil, porém ninguém afrouxava.

500 metros antes, e já passando os demais, olhou pra trás, a distância era grande, olhou pra frente, o sorriso da mãe orgulhosa e um monte de câmeras registrando o momento.
Tirou a boina, olhou pro céu, e agradeceu. Eles, sozinhos, estavam ganhando a difícil carreira.

E é assim, que em todos os lugares, em todas as provas, encontramos fenômenos.
Daqueles que fazem nossos cavalos brilhar, dar o melhor de si.
Já seja virando sobre as patas, pechando uma vaca, correndo uma marcha, ou correndo um chasque.

Mas que nos fazem lembrar, que criamos mais que cavalos. Criamos momentos a serem compartilhados, criamos ilusões, criamos sonhos.

Hoje, Agustín tem 18 anos, incentivado sempre pelos pais, tem planes formados, que com certeza, incluem cavalos... chasques, freios, marchas, enduros... embrulhadas em sonhos a serem cumpridos.
Nos fazendo lembrar, que quem não atinge os sonhos é porque não vai atrás!

Realização e texto : Maria Eduarda Sanes
Fotos: Maria Eduarda Sanes



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