Cabanha El Barquero, os crioulos da função

De grandes reuniões, grandes amizades. De grandes amizades, se compartilham os gostos e as paixões. Foi assim, que na casa de Rene Barbachan era um dia de assado, vinho e altas conversas. No meio desse grupo... um médico, que prestava atenção a grandes discussões. "Esse cavalo para mim é muito alto, e frouxo de garupa", "Ah mas tem bom pescoço!", "Tem sangue das "buenas", "feio de aprumos", "bons movimentos" ... Essas eram as frases que se escutavam ali. O doutor quieto, mais atento.
Foi o convívio com tantas pessoas vinculadas, que o Dr. Ricardo Gallicchio Kroef começa a se interessar por bichos de quatro patas, com topete, e que falavam entre relinchos. Além disso, Casio Selamein fazia questão de que isso acontecesse, e assim foi que o médico deixou aos poucos de frequentar tantos hospitais para dar um "pulo" nas pistas para ver o que faziam esses bichos.
Ah!, a primeira impressão não foi a que todos esperavam. Não é que o mais novo frequentador de provas da raça crioula quase dorme quando foi numa exposição morfológica? Sim! assim mesmo.
Mas... ainda assim, para a surpresa de todos o Dr., compra seu primeiro animal: uma colorada MANGALARGA.
"Quase apanhei", fala Ricardo ao conversar com Cosas del Campo.
Para não apanhar, e entrar na "jogada" dos cavalos. Compra agora sim, a primeira égua crioula: uma tobiana negra, o que não deixava muito contente aos amigos criadores. E por falar neles que agora tinham um novo convite para o amigo: Ir no famoso "Freio de Ouro".
E assim foi, num mês de agosto, na arquibancada da pista de Esteio, o Ricardo, o "Tita" estava vibrando como nunca, estava maravilhado, encantado com aqueles cavalos em movimento. Foi depois disso, que não se falava mais, não tinha volta atrás. Ele queria criar cavalos que emocionassem gente quando estavam em movimento. Para isso, ele buscou assessoramento, e assim decide o destino: linhagens funcionais da cabanha, porque agora, ia ser uma cabanha. "Cabanha El Barquero", inspirada em outro hobbie que o Dr., tem: ir de pesca para a Patagônia na Argentina.
No começo, foi atrás das éguas de manada que trouxessem essas famosas "linhagens funcionais". E assim chegou "Capanegra Iguaria", primeira égua comprada com esse pensamento, com um potranco ao pé do Capanegra Jacarta, e prenha do mesmo cavalo.
O que ninguém sabia, nem se imaginava, e que nessa barriga vinha um bichinho comum como qualquer outro, mais que queria fazer acontecer se movendo. Nesta barriga vinha então: "El Barquero 04 Patagônia".
Uma égua, que hoje dispensa comentários, pois deixou de ser a égua do Dr. Tita, para ser a égua "de todos". Mais até chegar ao "por quê" dessa expressão, tem muito para contar.
A Patagônia, já tinha o destino traçado, ela iria ser domada, e seguiria direto para começar a treinar "que nem aqueles cavalos que o Tita tinha visto em Esteio". Domada por Zezeco Macedo, ela começa a demonstrar o que era. Começa a demostrar pro Tita, que ela era diferente, que tal vez, superasse as expectativas dele.
O tempo passou, e chegou a hora de sair de casa. Mas... como sempre tem que acontecer alguma coisa "bem na hora", o Raul Lima, treinador da égua teve que fazer uma cirurgia faltando dez dias para a prova.
Saindo tudo bem na intervenção, o problema agora era outro: Quem iria montar a Patagônia?
O Dr., preocupado com isso foi até o hospital visitá-lo e conversar ao respeito, chegando lá, pergunta:
-"Que tal Fabricio Barbosa?"
-"Excelente!, só falta uma égua que nem a Patagônia para ele brilhar."
E assim chegou o grande dia. Um domingo frio, mas com o sol brilhando, a TV pela casa do treinador já estava acessa, o coração do Tita, também.
A Patagônia só fez o que já estava esperado: emocionar a todos. Uma égua com 6,4 de morfologia, nesse domingo, ganhava a classificatória de Bagé e obtendo a maior média funcional do ano, fazendo uma prova emocionante.
Aí foi então, que o Tita obteve a melhor recompensa: além daquela vitória, ele conseguiu outra: fazer emocionar gente.
Conversando com nossa equipe, ele nos fala dos novos criadores que nem ele, e ele só dá um par de conselhos... "Sangue comprovada funcionalmente; domadores bons, pois acredita que a doma é uma coisa fundamental em um cavalo, e ginetes que priorizem seu animal", além de dar o principal conselho de todos: "nunca deixem de domar um animal que traga consigo boa sangue funcional por critérios morfológicos".
Voltando a cabanha, e fechando esta emocionante história, perguntamos sobre o futuro...
"El Barquero" seguirá em busca de cavalos funcionais. Por que? Porque nada substitui ou é maior do que um abraço desconhecido e sincero te dizendo: Obrigado, "seu Tita", pela emoção que senti ao ver seu "bicho" andar..."

Texto: María Eduarda Sanes

Nossos Colunistas