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Envelhecimento do agro é uma das maiores preocupações do setor

Data: sexta, 1 de junho de 2018 - Hora: 11:46

Tecnologia pode ser um dos atrativos para que jovens optem pelo trabalho rural

Tradicionalmente a ideia que temos do agronegócio é de um trabalho que é passado de geração em geração, de pai para filho, muito mais do que nos outros setores. O que acontece, no entanto, é que aparentemente esse legado tem se perpetuado apenas no imaginário, já que segundo dados levantados pelo Censo Agro 2017, a população jovem está cada vez mais distante do trabalho no campo.

A pesquisa coordenada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estátisca (IBGE, Rio de Janeiro/RJ) aponta que em 2006, ano em que ocorreu o censo anterior, as pessoas com mais 65 anos representavam 17,52% da população do campo. Hoje, esse grupo gira em torno de 21,4%. Já a faixa etária entre 55 e 65 anos aumentou quatro pontos percentuais, passando de 20% para 24% do total.

Os mais jovens, em contrapartida, levam um declínio no percentual. O agrupamento entre 35 e 45 anos de idade encolheu de 21,93% para 18,29% da população rural, e os jovens entre 25 e 35 anos, que representavam 13,56% do campo em 2006, hoje são apenas 9,48%.

"Detectamos um aumento do número de recursos de aposentadorias e pensões no campo, o que reforça os dados de faixa etária confirmando que a população rural envelheceu mesmo", afirma o coordenador da Pesquisa, Antonio Florido.

Buscando atrativos. A partir dos dados recolhidos por meio do Censo, pesquisadores podem traçar métricas e fontes para novos estudos, que possam corroborar na mudança destes cenários. "Os dados do Censo Rural do IBGE são fundamentais para embasar e subsidiar os nossos trabalhos e traçar estratégias de pesquisa e inovação voltadas à agricultura familiar", afirma a pesquisadora e supervisora de Redes Nacionais de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa, Brasília/DF), Daniela Bittencourt.

Uma das soluções apontadas para essa defasagem no campo é a inserção de tecnologia. Os avanços, além de trazerem facilidades e aprimoramento ao trabalho rural também tornam-se atrativos para outras gerações.

"Os jovens têm de contar com soluções tecnológicas inovadoras que viabilizem sua fixação no campo. Além disso, a agricultura familiar precisa ser lucrativa para que haja a renovação de pessoas no meio rural," ressalta Bittencourt.

Grande desafio. A evasão dos jovens é considerado, segundo o secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais (Contag, Núcleo Bandeirante/DF), Antoninho Rovaris, dos maiores problemas do setor. "Não conseguimos criar atrativos no meio rural para que os jovens permaneçam. Muitas das tecnologias e soluções que a Embrapa gera não chegam ao produtor porque o sistema de extensão rural dos Estados está sucateado", pontua o secretário.

Outro participante que expôs seu posicionamento no debate foi o professor do Programa de Pós-graduação em Agronegócios da Universidade de Brasília (UNB, Brasília/DF), Mauro Del Grossi. "A agricultura familiar é uma importante supridora de alimentos para a população brasileira, sendo a principal responsável pela produção de alimentos como mandioca e feijão, por exemplo, fundamentais para o País," salienta.

Fonte: Embrapa, adaptado pela equipe feed&food.





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