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Campeiro II
por Oswaldo Dornelles Pons.

Data: segunda, 28 de maio de 2018 - Hora: 09:50

De tardezita na estância
Chegou um indio bem gaucho
Pernas longe do bucho
Num rosilho requeimado
Crioulo como "zapallo"
Altaneiro, muy gajo
E por sinal bem tosado .

Boa tarde meu patrão
Lhe peço uma desincilhada
Venho correndo estrada
Em busca de serviço
Pois peão campeiro é meu oficio
Mas pego em qualquer ponta
No lápis as letras eu aculhero
Me defendo um tanto nas contas
Trabalhar é o que mais quero.

O patrão pensou!
Amamnhã farei o teste
Se este indio não é só fachada
Verei se é de pegada
Se realmente é campeiro
Ou se é puta pataquada

E disse por 30 dias tens pegada
No fundo da invernada

O teatino encilhou um mouro
E se misturou na indiada
Pachola e de cola atada
Dizendo-se "o campeiro"
Com cuentos de gauchadas
Sem imaginar que logo ali
Enredava a égua no arame
Juntando o rodeio de cria
Tirada certa de seu tempo
Se realmente era de pegada
Ou se era apenas "reclame"

Na fechada do rodeio
O patrão na culatra observava
No fiador o lado que virava
Ora para dentro, ora para fora
Espalhava terneiro a campo fora
A cabeçada do cavalo era uma pandorga
Por nada juntava nas esporas
Sacudindo o culero
Fazia um baita entrevero
Se achando na casa da sogra

Em seguida lhe mandou para culatra
Para ver se melhorava

Nunca corre atras de terneiro novo
Procures voltea-lo por longe
Não aperte nos arames
Deixe que a própria vaca o chame
Te coloques de bom lado
Assim evitarás que "quebrem tramas"
É certo que ele volta para o gado

E na mangueira antes de iniciar o serviço
Muda sempre de cavalo
Procures não estafá-lo
Cuides do lombo e da boca
E terás cavalo por muito tempo
Pois não existe cavalo bueno
Nem tampoco lombo e boca que aguente
Ele é como a gente
Por melhor que esteja intencionado
Ficam com o fio virado
Por isso devem também ser respeitados

Num banho de gado ou vacina
Na hora da embretada
Ralhe com a cachorrada
Evite o "oba hahá" do entrevero
Separes as vacas dos terneiros
Para que não sejam pisoteados
Pois não adianta entourar
Recorrer e cuidar
Pouco pluma para esta lida
Era "gauchinho de CTG"
Só se defendia em gineteada

Mas de qualquer forma o patrão
Ao tranquito em seu rosilho
Analizando seu estilo
Vendo que não atacava um pampa
Que era só fachada pura estampa
Debruçado no cabo do relho
Resolveu lhe dar alguns conselhos
Do que realmente é um campeiro
Não precisa ser um doutor
Bastando apenas ser observador
Do campo e o comportamento da res
Procurar sempre o preventivo
Nunca correr atrás do prejuízo
É certo a correria
É trabalho dobrado o "curativo"

Continuou a lião
De sua vevencia campeira
Nunca aperte nas porteiras
Deixe o gado cruzar a vontade
Afinando sua cruzada
Pois além de proteger o animal
Estás protegendo a tronqueira

Olhes para longe, olhes para todos os lados
Observe se não está rapado
Arrodeie os animais
Não apenas de vistaço
Repare na individualidade
Se tem carrapato ou alguma bicheira
No verão, é tempo de tristeza
Estes não mexas no forte do sol
Procures na calma segurar com tiro de laço
Apliques logo uma injeção
Seja Ganazeg ou "imizol"

Se for aparte de gado gordo
Procures ser ainda mais calmo
Evitando o rebuliço
Assim facilitarás o serviço
Apenas espante com o cabo do relho
Nesta lida "devagar sempre é mais ligeiro"
Fiques atento ao apartador
Para a res que irá tirar
Que ela seguirá o señuelo

Para apartar égua em mangueira
Use o mesmo critério
Embora sejamos gaudérios
Usemos mais a cabeça
Dê a mão numa rama
Fazendo o animal lhe entender
Sem correria e poeira
Evite sempre gritarias
Não necessita muita ggente
Basta apenas dois para apartar
E um que ataque na porteira

Tupambaé 20/01/04



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