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Como serão as lavouras do futuro

Data: quarta, 2 de maio de 2018 - Hora: 12:01

Máquinas terão autonomia não apenas de locomoção, mas serão capazes de se autorregular e até tomar decisões

Menos ferro e mais inteligência. A frase de Rodrigo Bonato, diretor de vendas da John Deere, sintetiza a visão quase unânime de fabricantes de máquinas agrícolas, agroquímicos e sementes, de pesquisadores e de empresários de startups sobre como será a agricultura brasileira em meados de 2030, quando a população mundial alcançará 8,6 bilhões e a do Brasil 206,8 milhões de pessoas. Alguns acreditam que ainda há espaço para o desenvolvimento de colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores ainda maiores.

Entretato, há tendências que são consensuais no setor. As máquinas autônomas estão chegando. A busca por mais produtividade deve levar em conta a sustentabilidade, e não o aumento de área. A agricultura digital, com ferramentas cada vez mais revolucionárias de agricultura de precisão (AP), inteligência artificial, internet das coisas e nanotecnologia, é quem vai dar as cartas no futuro.

O diretor da John Deere afirma que os ferros estão chegando ao seu limite operacional no campo e dá como exemplo a maior plantadeira do mercado, que a empresa apresenta na Agrishow deste ano, com 61 linhas de plantio e chassi de 27,5 metros, puxada por um trator de 520 cavalos-vapor (cv). "A pergunta que fazemos hoje é até onde poderemos, com o aumento dos ferros, agregar mais eficiência aos nossos produtores. Acho que o futuro é da agricultura de decisão", diz, referindo-se à associação do conceito de AP (aplicação correta, na forma correta, no lugar correto, no tempo correto) com o gerenciamento da frota e da operação. Na visão do executivo, as máquinas do futuro terão autonomia não apenas de direção, mas serão capazes de se autorregular e tomar decisões no campo com a inteligência artificial.

Para Dener Jaime, coordenador de marketing do produto Fuse da Massey Ferguson, o tráfego controlado das máquinas, tecnologia já lançada pelo grupo AGCO (que inclui também a marca Valtra), aliado à gestão de informação, vai se tornar rotina no futuro na maioria das propriedades e vai permitir atender à demanda por máquinas ainda maiores. A Massey vê limites na automação. "Num futuro não tão distante, a automação pode até ser completa, mas o mais provável é que a máquina trabalhe sozinha, com o operador na cabine pronto para fazer qualquer correção."

A Jacto também apresentou um veículo autônomo para pulverização em 2008, que aplica o conceito de um único operador no campo controlando várias máquinas. O pulverizador JAV está em testes em áreas de silvicultura no Brasil, em uma parceria com a Suzano. “A ideia é ter quatro JAVs atuando em áreas distintas, abastecidos por um caminhão com calda pilotado por um funcionário equipado com um tablet. O comboio faz a aplicação de forma autônoma, observado pelo operador”, explica Cristiano Pontelli, gerente de negócios da marca. Para ele, nos próximos 15 anos, ainda será necessário um operador in loco para controlar as operações.
Sobre o tamanho das máquinas para pulverização no futuro, Cristiano cita que há duas frentes sendo testadas no mundo.

Na Europa, o investimento ainda é nas máquinas maiores, com pulverizadores de até 10.000 litros (a maior máquina no Brasil opera com 4.500 litros). Já produtores dos Estados Unidos e Austrália trabalham com o conceito de veículos pequenos robotizados. "Acho que no Brasil vamos ficar no meio-termo: uma máquina gigante e um enxame de outras pequenas trabalhando colaborativamente no mesmo talhão.

Fonte: Globo Rural para a Agrishow 2018



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