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Racionalização do desmame dos terneiros.
por Dr. Rodrigo Azambuja

Data: segunda, 16 de abril de 2018 - Hora: 14:50

Estamos no outono, e ainda há tempo de racionalizarmos o processo de desmame dos terneiros.

Embora boa parte das ações para racionalização do processo de desmame dos terneiros já devam ter sido executadas, ou previamente preparadas, ainda existe tempo de discutirmos e programarmos técnicas simples, para melhor realização desta etapa do sistema produtivo. No mesmo sentido, é tempo de identificarmos os erros que repetimos ano a ano em nossas propriedades, e corrigi-los para o próximo ano, com o devido planejamento das ações.

Dentro deste escopo, o desmame deve ser realizado segundo as condições disponibilizadas dentro de cada sistema de produção. Diversos esquemas são propostos, onde devemos optar pelo que melhor se enquadre nas nossas condições econômicas e operacionais. Infelizmente, ainda são corriqueiros os casos em que as taxas de repetição de prenhez dos rebanhos bovinos são baixas, onde a maioria das vacas pare uma vez a cada dois anos. Isto torna o sistema de cria ineficiente. Devemos utilizar abordagens objetivas para mudar esta realidade.

Neste contexto, o principal efeito negativo da amamentação/ lactação sobre a atividade reprodutiva da vaca está relacionado ao direcionamento de nutrientes para a produção leiteira, aumentando significativamente a demanda energética das matrizes. A lactação é um estado dominante sobre outras atividades do organismo, fazendo com que a vaca priorize a produção de leite para o terneiro em relação à atividade reprodutiva.

Ainda há de se considerar, que o peso dos terneiros no momento da desmama é uma fusão de fatores, como idade, peso ao nascimento, idade da mãe e produção leiteira, raça e genótipo, oferta de forragem disponível, sexo e desenvolvimento ruminal. No mesmo sentido, é importantíssimo destacar, que o escore de condição corporal da vaca desde a prenhez, passando pelo pré-parto e pós-parto recente são premissas fundamentais para desmamarmos terneiros jovens e pesados. Tal afirmativa expõe uma carência fundamental corriqueira em nossos sistemas produtivos "a falta de preocupação com o porvir , ou seja, preparar as vacas para a próxima safra " O que discutiremos ainda neste artigo.

O processo da desmama é extremamente traumático para o terneiro, ocorrendo mudanças em sua alimentação (fator dietético), a separação da mãe (fator emocional) e geralmente mudanças de potreiro ou piquete (fator ambiental). Os efeitos resultantes da desmama devem provocar o mínimo de estresse possível, prevenindo o surgimento de doenças relacionadas à quebra de imunidade. A vaca também costuma sofrer em demasia, dependendo da sua habilidade materna.

Uma alternativa que pode ser utilizada visando reduzir o estresse, tanto das vacas, como dos terneiros, é a utilização de tabuletas. As tabuletas são dispositivos colocados no focinho dos terneiros, que impedem o acesso ao teto para mamar, porém permitindo o pastejo. Sua utilização, cerca de 15 a 20 dias antes da separação de vacas e terneiros, reduz o sofrimento de ambos, uma vez que promove o rompimento do vínculo maternal gradativamente.

A vaca, após o desmame, pode ficar em potreiros próximos aos terneiros, que estarão nos primeiros dias na mangueira, desde que não tenham contato direto que permita mamada. Isto evitará grandes deslocamentos das mesmas (costeio), uma vez que as matrizes tendem a buscar os terneiros onde os deixaram (mangueiras). Antigamente, acreditava-se que o ideal seria mantê-las o mais longe possível, para evitar que as mesmas ouvissem suas vocalizações e parassem de procura-los em menos dias, no entanto, em estudos recentes tal fato não se evidenciou. Para equacionar tal questão, devem ser levados em consideração os fatores específicos de cada propriedade.

Caso esteja produzindo bastante leite, é aconselhável colocá-la temporariamente em potreiro com baixa disponibilidade de forragem, desde que não acabe interferindo no estado corporal e cause problemas reprodutivos futuros. Por outro lado, vacas fracas deverão receber aporte nutricional extra, visando recuperação do escore de condição corporal ainda antes do inverno. O terneiro após três ou quatro dias deve ser dosificado e levado para potreiro com pastagem de alta qualidade, visando o atendimento de sua demanda nutricional para o crescimento, que a partir desse momento depende exclusivamente da forragem como fonte de alimentação.

Existem sistemas de produção altamente eficientes que utilizam desmama tradicional, onde o fator determinante do sucesso é a alta oferta forrageira e/ou suplementação nutricional das vacas de cria. E como na maioria das vezes, o animal permanece longos períodos mamando, pode-se produzir terneiros com altos pesos à desmama (Média de todo lote superior a 200 Kg). Porém, as vacas podem estar fracas na entrada do inverno, com perdas reprodutivas associadas a essa condição, reduzindo, desta forma, a magnitude desse benefício ilusório da possibilidade de altos pesos de desmama. Da mesma forma, este cenário é comum para grande parte dos sistemas de cria de nosso estado, onde o domínio da produção forrageira em qualidade e volume ainda é incipiente, e concomitantemente a orientações neste setor, estratégias econômicas de manejo das matrizes devem ser priorizadas.

A racionalização do desmame consiste em direcionar técnicas como o desmame antecipado ou o desmame precoce, a grupos homogêneos de vacas que respondam na melhor relação custo-benefício ao emprego destas práticas. Outro aspecto importantíssimo é que os terneiros devem ser desmamados em lotes uniformes de peso e idade.

O desmame precoce é uma técnica ou mistura de técnicas que buscam maximizar o desempenho reprodutivo da vaca, sem que haja efeitos negativos permanentes sobre o crescimento do terneiro, o qual pode sofrer transtornos nos primeiros dias pós aparte, porém havendo condições nutricionais adequadas observa-se a recuperação em seu desenvolvimento, até mesmo ultrapassando o desempenho dos terneiros mantidos ao pé da mãe, conforme demonstrado em diversos estudos realizados no Estado.
O impacto sobre a reprodução será maior quando observadas as seguintes circunstâncias para seu emprego:

Primíparas,
Vacas fracas ou com baixa condição corporal (CC<3).

A partir dos 60-90 dias de idade o terneiro já apresenta condições de alimentar-se exclusivamente de forragem, embora seu rúmen ainda não apresente completo desenvolvimento. O terneiro desmamado nessa idade deve apresentar no mínimo 70 Kg e dispor de forragem de boa qualidade no que se refere à digestibilidade e proteína digestível, para tanto, é imprescindível à utilização de suplementação concentrada. O nível de proteína bruta do concentrado a ser fornecido nos primeiros dias de desmame deve ser alto (20%-22%), devendo depois ser gradativamente diminuído até ficar em torno de 18%. Além disso, deve possuir as seguintes características:
Ser bastante palatável;
Ter textura grosseira (os ingredientes finamente moídos reduzem o consumo, podem ser aspirados acidentalmente e a peletização pode melhorá-lo);
Variedade de ingredientes pode melhorar a aceitabilidade;
Nível baixo de fibra;
Minerais e vitaminas para suprir as exigências desta categoria animal.

Alguns cuidados de manejo deverão ser tomados com esses animais para diminuir o estresse pós desmama. Os animais devem ser colocados em piquetes com sombra e boa oferta de água limpa. Os animais devem ser incentivados a se alimentar de ração, aprendendo a consumir este suplemento. Devem ficar nos primeiros dias em mangueiras onde tenham que passar constantemente perto dos cochos, de preferência introduzir algum terneiro de vaca leiteira que já saiba comer ração para ensinar. Pode ser colocado pasto verde picado ou feno de alfafa no cocho sobre o concentrado, para facilitar a aceitação do suplemento.

As pesagens deverão ser periódicas para manejo dos lotes. O consumo de ração deve ser em torno de 1 - 1,5% do peso vivo dos animais, e os mesmos devem passar por período de adaptação gradativa de 10 dias para efetivar este consumo. A taxa de ganho de peso dependerá diretamente da qualidade do concentrado, da quantidade e da qualidade do pasto nativo ou pastagem disponível.

As pastagens devem ser constituídas de forrageiras de boa qualidade e porte baixo-médio. Normalmente, trabalha-se com campo natural, que deve ser a melhor e mais próxima área, e previamente diferido por 45 dias para estar em boas condições de pastejo no momento do desmame. Outra alternativa são as pastagens de verão, como capim sudão, sorgo forrageiro e milheto. Temos utilizado cada vez mais pastagens perenes como o Jiggs e Tifton. Também deverá ser feito um controle sanitário criterioso, com vermifugações periódicas (cada 45-60 dias) e vacinação preventiva (no mínimo 30 dias antes do desmame), principalmente contra clostridioses, doenças respiratórias e conjuntivites, as quais muito comuns nessa faixa de idade e neste tipo de manejo.

O período em que os animais serão suplementados vai depender do planejamento nutricional particular de cada situação e sistema produtivo, considerando principalmente o ritmo de crescimento pretendido (por exemplo – ganhos médios diários na ordem de 0,5 - 0,7 Kg/ dia) e a economicidade do sistema.

O desmame antecipado dos terneiros (150 - 180 dias), que consiste em reduzir em 60 a 90 dias o período em que as vacas ficam com os terneiros ao pé, em detrimento dos tradicionais 7 a 8 meses, visa restabelecer a condição corporal destas antes do início do inverno, período crítico das pastagens naturais no sul do país.

Esta técnica de manejo refletirá na condição corporal das matrizes na estação de monta seguinte, pois as fêmeas parirão em melhores condições, o que representa melhores índices reprodutivos e melhor aleitamento dos terneiros. Este sistema vem apresentando ótimos resultados em alguns sistemas produtivos no Rio Grande do Sul, apresentando grande sustentabilidade e economicidade. Após alguns anos de utilização da técnica ocorre uma melhora global na condição corporal das matrizes dos rebanhos e incremento no peso de desmame dos terneiros, mais jovens. O sistema é potencializado, quando associado ao diagnóstico precoce de gestação das matrizes. Neste caso, somente os terneiros de fêmeas prenhes são desmamados antecipadamente, pois na maioria das vezes, é onde a técnica encontra o melhor resultado econômico, porém isto dependerá do destino que é dado às vacas vazias nos sistemas produtivos.

Outro aspecto importantíssimo para o sucesso da técnica é a condução dos terneiros após o desmame, onde estes devem ser manejados em potreiros com boa oferta forrageira, abrigo e água de qualidade. Recomenda-se o diferimento de potreiros (45 dias) especificamente para esta fase, ou ainda, a utilização de pastagens naturais melhoradas e/ou pastagens cultivadas perenes (Jiggs/ Tifton). A utilização de suplementação com sais minerais proteinados, ou proteico-energéticos específicos para a categoria apresenta bons incrementos no ganho de peso no outono, antes de conduzirmos os mesmos para pastagens anuais de inverno, como por exemplo o azevém, que vem se mostrando como a principal e a melhor alternativa para a recria dos terneiros e terneiras.

De maneira geral, o que recomendamos, é o planejamento anual de todas estas atividades, com a construção minuciosa de um calendário-cronograma de manejo, prevendo todos os pontos críticos de execução. Ainda vivemos uma pecuária de corte carente de gestão de processos e repetição de ações de sucesso, ano após ano.
Nossa proposta consiste na organização de ações objetivas para a pecuária, em uma sequencia lógica de aplicação de tecnologias, passo a passo.




Nossos Colunistas

Arturo Montory Gajardo

Nací en Cañete provincia de Arauco-Chile en septiembre de 1946, de familia de agricultores y ganaderos. En 1964 mi tío Hernán Anguita Gajardo, estudioso, criador (criadero Paicavi), y dirigente del rodeo escribe artículos en el Anuario de la Asociación de Criadores de Caballares, y me hace participar de ellos, lo que efectuó hasta el año 1970 en que entrega su último artículo. (Hernán Anguita creo el premio Sello de Raza). Ello me hizo aprender muchísimo de caballos, rodeo, arregladores y jinetes antiguos y ya en el año 1966 en una Agenda o libreta pequeña pude escribir y desarrollar en forma ordenada y clasificada por Familias Caballares toda la raza con los ejemplares más importantes, en rodeo, rienda, reproducción, exposiciones, que habían destacado y con premios hasta esa época. No había aun computación, la que llegó en forma masiva a Chile a principios del 1990. Esa agenda la conservo y es la base de todo lo que he escrito después y han pasado 50 años. Luego fui jinete de rodeo, jurado de premio Sello de Raza y Rodeos por muchos años más. En 1990 ya establecido en Santiago, me invitan a participar como columnista en revista Criollos, en octubre de 1991 participo en nacimiento de revista Corraleros escribiendo y dirigiéndola hasta 2005 y luego fundo la revista Tierra de Caballos, la que llevo a Expointer durante algunos años y junto a ello, incentivar a muchos criadores chilenos a conocer y asistir al Freno de Oro, y se produjo un intercambio muy grande y de muy gratos recuerdos para todos. En 2009 fui panelista representando a Chile de “Encuentro de Criadores”, evento que organizaban los criadores gaúchos Joao B. Sa y de Uruguay Luis Pedro Valdés en restorán de la 6° Regiao en Esteio. Me toco en esa ocasión compartir palestra con el famoso Bayard Sarmento Jaques de Jaguarao-Uruguiana, el criador argentino Ramon Maidagan Torres, y el criador uruguayo Diego Landa Dondo, una experiencia inolvidable. En 1997 publique el libro "Caballos Chilenos, Genealogía de una Raza"; en 2000 inicio la colección "Caballos Chilenos, 500 años de Historia", que fueron 9 tomos; en 2012 publico en Internet, están aún vigentes, 5 tomos de libro "Grandes Caballos del Sur de América", que incluye crianzas de Argentina, Brasil, Chile, Uruguay y Paraguay. Me publicaron artículos en Anuario de Brasil y Uruguay. En 2015 publico Tomo I y en 2016 el Tomo II de libro "Reproductores de Pura Raza Chilena", vigente actual. Tengo al aire la web Tierradecaballos.cl; en Facebook web Libro Reproductores de Pura Raza Chilena. He hecho videos en YouTube a nombre de Caballería Araucana TV; criadero Paicavi TV; y Reproductores de Pura Raza Chilena, que van a TV Cable He sido por 13 años columnista de web de Federación del Rodeo y Criadores, Actelemte participo en programa Pelos & Procedencia de radio Tertulia por invitación de mi estimado amigo Rodrigo Alegrete. En diciembre del 2016 fue lanzado el Tomo I de "Historia del Rodeo Chileno", que escribí, y a principio del 2018 se lanza Tomo II y la Historia de la Federación del Rodeo, soy autor de ambos. Tengo un pequeño criadero de caballos chilenos continuando con algunas yeguas antiguas y el nombre de "Paicavi" cuyos ejemplares forman la base del actual del exitoso criadero Peleco, formado por Emilio Lafontaine P. también primo mío, y que ahora pertenece a Rubén Valdebenito Fuica y sus hijos Gustavo y "Panchaco". .