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Uruguai faz paz com o campo natural
Historicamente descendo para a categoria de improdutiva ou indesejável, nosso Campo Natural começa a levantar sua triste aparência de espreitadelas, aqui e ali, outras chamadas de voz, furgões que por décadas estavam estacionados nas costas para ver os chakras do outro lado da cerca, eles investem sua localização para contemplar do outro lado do elétrico para a sua impressionante resiliência, capaz de sobreviver cem anos para o maltrato sem descanso. Tão pequeno, não tem mais nada. Somos o reflexo da gestão que fizemos ao Campo Natural, e mesmo as grandes fortunas geradas por pessoas habilitadas e merecedoras de tintas urbanas, têm na sua carne, leite ou lã de fundo. Alguém disse uma vez que é essencial saber de onde somos, saber para onde estamos indo, e como vivemos com as costas ao Campo Natural, não temos idéia de onde podemos ir ou até onde podemos ir. Bem, isso começa a mudar, esse momento chegou A força motriz vem de baixo, de organizações de produtores, Grupos CRE, Cooperativas e algumas instituições. A única coisa que faltava foi uma consciência geral da importância do campo natural, e neste caso, filho da necessidade, chegou o momento. Nas áreas rurais mais diversas, surge a demanda por novas formas de uso, e talvez o ponto máximo desta ansiedade tenha sido expresso em 12 de julho, no INIA Tacuarembó, onde um público não inferior a 300 pessoas de todos áreas, participaram da convocação para o dia em "Gerenciamento de Campo Natural". Lá, eu vi tudo, resgatei o que pude observar no meu canto 1 - Nunca no país havia muitos jovens reunidos em torno deste assunto, e nunca houve um consenso tão consensual que é imperativo trabalhar com mais pastagens. É dito por todas as instituições, grupos de produtores, consignatários e vacas. Não é uma voz contra isso. 2- Uma institucionalidade surpreendida por uma pressão do setor agrícola na demanda por dados, números e alternativas para o Campo Natural. Nos corredores, a convicção unânime de que a pesquisa está em círculos, mas longe disso, o que foi apresentado como inovação no conhecimento não será uma sobreposição repetitiva de esforços se não for sistematizada e aplicada. As pessoas estão exigindo ação. "Foi estudado muito". 3- A opinião surpreendente dos Agrónomos, que, com as palavras de um deles, ao microfone e sendo ouvida com atenção, disse que "nós fomos a maior praga que o Campo Natural teve", outro disse "as coisas que tomamos como As verdades absolutas, sem ter em conta as pessoas rurais, foram e serão o nosso maior erro ", e na mesa final pode ser ouvida", enquanto não incorporarmos o fator humano à pesquisa, continuaremos a falhar, como até agora ... " 4- A verificação de que a última frase do item 3 é verdadeira, vários casos de pesquisa participativa, produtores e técnicos buscando soluções juntas, liberando-se. A interação necessária para atender ao fator humano, a grande lacuna das receitas agronômicas das últimas décadas. Vários produtores passaram na frente, e foi tão bom que o chefe dos pastos do INIA disse que esses dias "devem ser dados pelos produtores". Que mudança! 5- Perguntas sem medo e sem medo sobre sistemas de pastoreio, desde um rotário humilde e eficiente até a voz Voisin, o "cuco" da agronomia. O INIA considera a pesquisa necessária para quantificar os resultados dos diferentes sistemas. Ele está disposto a estudá-lo em propriedades comerciais, com o contador de que não há segurança de continuidade essencial para ter dados sólidos. "Nós temos que gerar prata, não podemos dar ao luxo de não estudar nosso recurso principal em profundidade". Às quatro horas da tarde, chegamos à frente, e a mesa redonda foi configurada para responder a perguntas pré-estabelecidas, mas não foi possível. Foi o suficiente para se adequar ao primeiro:  "O que eles pensariam neste dia na estrada; o que estava faltando, o que foi? " Pablo Boggiano, UDELAR: há informações suficientes disponíveis, as pessoas não possuem propriedade. Juan Dutra, produtor rural de Tacuarembó: até que uma educação adequada seja fornecida aos jovens rurais, não haverá mudanças. Rafael Gallinal, produtor rural da Flórida: gerar uma metodologia de trabalho que se manifesta em maiores produtividades. Marcelo Pereira, IPA: a incorporação do fator humano na pesquisa é imperativa. Ernesto Trambauer, produtor familiar do Rio Negro: a importância da imprensa na gestão do campo natural. Fernando Lattanzi, chefe das pastagens do INIA: o INIA não pode se dar ao luxo de não estudar o campo natural. Não será fácil sistematizar tanta informação objetivamente, espero que os modelos de produção realmente sejam alcançados, que abordem urgentemente os produtores que não ocupam mais nem menos de 65% do território nacional. O otimismo que trago do berço, enraizado no osso, me leva a pensar que, antes de uma tremenda demonstração da necessidade urgente de uma mudança na rota, nada pode acontecer além das reuniões para decidir ações. Dos diagnósticos rurais, as periferias das cidades estão cheias. Que este dia seja um antes e um depois para o Campo Natural, para as pessoas do campo, para o Uruguai. Vá se precisarmos ... Texto:Juan Dutra Fonte: www.fororural.com

Uruguai faz paz com o campo natural

Colunistas

Artigos sobre o Agro Negócio

Reflexões sobre a Expointer 2017
O RS tem grande tradição em feiras agropecuárias, sendo pioneiro no país neste tipo de evento. As primeiras Exposições agropecuárias iniciaram nas primeiras décadas do século 20 em Bagé e outras cidades fronteiriças, seguindo-se Porto Alegre com as Exposições Estaduais. O foco principal na época eram os bovinos e ovinos selecionados nas estâncias. Iniciava-se os primeiros registros genealógicos das associações de raças. De 1955 a 1969 a Exposição Estadual de Animais (na época assim denominada) era realizada no bairro Menino Deus em Porto Alegre, no local onde hoje é a secretaria da agricultura. Na década de 60 constatou-se a pequena capacidade deste parque em sediar eventos com grande número de animais, inclusive com crescente presença de cabanheiros do Uruguai e Argentina. Assim, em 1970 a feira mudou-se para Esteio, e em 1972, ocorreu a primeira Exposição internacional de animais já com a presença de 13 países. Ao longo de quatro décadas os números impressionam pela quantidade crescente de animais, mas também pela presença da agroindústria familiar, setor de pesquisa, inovação tecnológica, assistência técnica e máquinas e implementos agrícolas. Cabe destacar também a evolução nos remates de elite, principalmente de equinos e bovinos bem como no freio de ouro, eventos estes que tem atraído milhares de visitantes de diversos países da América do Sul, Estados Unidos e Europa. Neste ano a 40ₐ Expointer registrou 3.207 animais de 88 raças diferentes. Excluindo pássaros e aves, impossibilitados de participar devido à gripe aviária, houve uma redução em comparação com 2016 (4285). Houve, nos últimos anos, um crescimento na participação de ovinos devido à criação de categorias de animais naturalmente coloridos em seis raças: Corriedale, Romney Marsh, Hampshire Down, Texel, Ile de France e Suffolk. No gado de corte, houve um aumento expressivo na participação da raça Normanda, que passou de oito para 25 animais inscritos, e um crescimento de 44% nas inscrições de zebuínos. A raça Guzolando, de aptidão leiteira, apareceu pela primeira vez na feira. Dentre os pequenos animais, 30 raças de coelhos e três de chinchilas foram inscritos, totalizando 338 animais. Por causa do alerta de gripe aviária emitido pelo Ministério da Agricultura, as aves não participaram desta última edição. Além da questão sanitária das aves, os seguintes fatores talvez expliquem o menor número de inscrições deste ano: 1)a crise político-financeira pela qual o país está atravessando; 2)os altos custos de manutenção dos animais de argola; 3)o entendimento, por parte dos produtores, de que a seleção genética feita em expo-feiras, no caso, principalmente de bovinos e ovinos, nem sempre se reflete no desempenho produtivo a campo. Gostaria de destacar também algumas inovações que foram apresentadas na feira e impressionaram os visitantes, como os currais virtuais, a seleção genômica em bovinos, o pastejo de precisão e as diversas opções de forrageiras cultivadas para diferentes sistemas produtivos consorciados ou em integração lavoura-pecuária. A feira de Esteio, além da reconhecida genética dos animais, tem apresentado inúmeras novidades tecnológicas para os produtores. Em tempos de crise e mercados cada vez mais competitivos, é necessário inovar com responsabilidade para reduzir custos, melhor a produtividade e elevar margens. Mais uma vez presenciamos uma grande Expointer, seja pela qualidade genética dos animais expostos, boa comercialização, como pelas palestras e integração entre produtores, técnicos e empresas. Esperamos que o país retome o rumo, pois o agronegócio sairá como sempre na frente, exibindo uma Genética de ponta, tecnologia diferenciada e produtores cada vez mais capacitados a seguir em frente com otimismo e desempenho produtivo. Até a próxima coluna.

Reflexes sobre a Expointer 2017

Histórias de Vida

A Vida no campo como ela é.

Trajetória sofrida que se transforma em Ouro
Quando se fala em cavalo crioulo, é um assunto que vem de berço para o Eduardo Weber de Quadros, ou como todos o conhecem o "Dudu Quadros". A família dele sempre teve relação com a raça, mais especificamente com o rodeio; onde o menino Dudu na época, se inicia a cavalo. Ele chegou a ser campeão de estão de "laço guri". Mas em casa, sempre chegavam para o pai revistas e jornais, onde apareciam cavalos com seus ginetes fazendo umas "tais" provas que chamavam muito a atenção do Dudu. Pouco a pouco, ele não queria saber de ver esses cavalos e essas provas só pelos jornais, pelo contrário, o interesse do menino era tão grande que ele queria fazer parte daquilo. Foi assim, que a través de dois amigos, Sebastiao e Hugo, que ele começou a entrar no mundo do cavalo crioulo. Pois eles corriam prova, e aquilo era motivo para que em casa com os cavalos de rodeio começasse aos poucos a "treinar" os dele. "Queria fazer girar os meus cavalos de rodeio", comenta o ginete ao falar com Cosas del Campo. E foi assim, com seu jeito, treinando um pouco de lá e de cá, que foram ele e seus cavalos correr uma prova, onde para a surpresa de Dudu, consegue o primeiro e o segundo lugar. O que é motivo para que na cabeça dele se confirme que ele queria fazer isso para o resto da vida dele. Com 14 anos ele recebe seu primeiro convite de trabalho, ele iria treinar na Cabanha Tombini. Alí participa de credenciadoras que serviram de experiência pra ele durante esses quatro anos. Continuou por ir aprender com o Lindor Collares, e depois graças à experiência e ensinamentos, credenciar sua primeira égua. Égua que até hoje lembra com o carinho do mundo. Saiu da credenciadora com uma ideia na cabeça... Ideia que vem de sonho de criança, e que nunca abriu mão. Ideia que ele planejava escrevendo nas camisas de rodeio quando criança, e que nunca imaginou que chegasse tão longe, ideia que sempre incluiu o irmão, que já tem vários ouros juvenis guardados. Essa ideia tem nome e se chama "CT Mano a Mano". Centro de treinamento que tanto sonhou... Onde derramou as maiores lagrimas de tristeza da vida dele... E claro, onde trabalhou para conquistar o maior sonho: ganhar o Freio de Ouro. Eduardo confessa que a vida dele teve varias etapas... Algumas boas e outras não tão boas. Nas etapas "não tão boas", teve momentos que ninguém mandava bicho, teve momentos de não passar nenhum bicho ao Freio de Ouro, e o pior... Teve o pensamento de desistir na cabeça dele. Só que tem pessoas na vida da gente, que são anjos que estão ali nos segurando à mão de olho em tudo o que fazemos. Na vida do Dudu, ele nos conta que são a família, a sua namorada, e os verdadeiros amigos, quem faz questão de lembrar o Vitor Penner. Foram eles, cada um do seu lugar que fizeram levantar a cabeça, e fazer com que ele não desista nunca. Assim foi passando o tempo... Novos cavalos chegaram, novos momentos, e novos desafios. Até chegar 2017... Ano onde Deus escolheu para que Dudu brilhasse. Começaram as conquistas quando conseguiu por primeira vez começar a classificar os bichos para a grande final. O que não sabia, é que aquela égua que estava dentro dos classificados, tinha construído uma “sinfonia” especial, uma sinfonia que chamaria a atenção de todos, uma sinfonia que faria eles fazer a maior média funcional da raça crioula com a Capanegra Quinta Sinfonia. Assim foi, que no domingo do Freio de Ouro de 2017, Dudu se deu conta por que ele tinha passado por tudo o que tinha passado... Ele estava demonstrando pra que tinha chegado na grande final, mostrando assim seu trabalho, seu talento, seu caráter. Ali, se lembrou de cada um dos que apoiou ele, e sobre todas as coisas lembrou-se do pai de lá de cima, quem nunca o abandonou. "Seguir sendo eu mesmo", é a reflexão que ele tira de tudo isto. Pois mesmo assim de ele ter atingido o maior sonho da vida dele, ele quer ir por mais, pra demonstrar que nada nesta vida é impossível quando a gente quer. Texto:Maria Eduarda Sanes Fotos: arquivos Dudu Quadros

Trajetria sofrida que se transforma em Ouro